JARDIM

Jardim (2011), um Jardim por ser uma paisagem construída, feita a mão, costuma formar na gente a sensação de uma natureza cativa, dócil. Pode-se dizer que, lá, a fotografia tende a ser sempre a de família. Um lugar que existe a um passo para fora de casa e de onde é possível experimentar o passeio que costuma enriquecer as nossas histórias afetivas. No Jardim que propomos nesta série habita alguém de um rosto desorganizado em plantas.

Está proposto um Jardim para uma espécie de passeio projetado, a sugestão de uma trajetória para fora de si mesmo e, ao passo desse ausentar-se de si, perceber-se por lá. É uma série de fotografias com uma paisagem que se modifica quando nela se está, sem uma intervenção propriamente dita, mas durante os passos que articulam o que percebemos no curso do tempo que dedicamos a cada imagem dessa coleção.

A superfície de um rosto pode ser, por vezes, menos dócil que a de um jardim suspenso. E podemos dizer que ao tentarmos percebê-lo descobriremos, a cada instante de observação, que ele se diferencia de sí mesmo, sem nunca se perder do conjunto que lhe garante continuar a ser. Um rosto se faz nos haveres entre ser único ou anônimo, entre ser fisionomia ou paisagem. E se define como a cara de alguém, mas também se permite ser comum ao parecer com vários. É o que nos deixa aparentes, nos define como abertos, incompletos, inacabados, ainda sendo a nossa maior identidade. A parte de nosso corpo a ser vista como uma breve espessura por onde manifestamos as possibilidades de quem somos. A fotografia também nos dá um rosto.